sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

O que sera, sera

 Aos poucos começo a conseguir descansar e recuperar. Cheguei ao fim de dezembro exausta, física e psicologicamente. Em setembro, disse em voz alta: este ano (lectivo) vai ter de ser diferente, se não eu não aguento. Não foi diferente. Porque de manhã continua a  ser preciso eu estar lá; porque à tarde eles continuo a ir buscá-los; porque há tardes livres e treinos e lá estou eu; porque o trabalho que fica por fazer de dia tem de ser feito à noite, porque aos fins de semana há tantas coisas para fazer, porque, porque, porque.

Agora, à medida que vou descansando, vou tentando decifrar este puzzle do que posso mudar para mudar. Para não chegar a um limite tal como foi o deste ano (e não foi só em dezembro, vários posts deste ano comprovam). Posso comer melhor, sim. Posso ler livros em vez de reels, sim. Posso ir a mais concertos, sim. Mas como posso dormir mais? Como posso não ter de trabalhar à noite? Como posso aliviar a carga diária de arrumar loiça, estender roupa, fazer jantar, ajudar com tpcs? Como fazem vocês, mães solteiras? Oh que disparate, tu não és mãe solteira. Não, mas. E não vale a pena dizerem, não vou pedir “ajuda”, não vou pedir por uma distribuição mais equilibrada, não vou pedir nada. Não vou pedir a alguém para fazer o que devia fazer, o que devia querer. Não vou. Antes arrastada, anémica, cadavérica, à beira de um colapso nervoso. Já disse aqui antes, tudo o que faço é porque quero. O trabalho não vai abrandar, pelo contrário, os meninos não vão deixar de precisar de mim, pelo contrário. Posso trabalhar mais dias em casa. Posso comprar um secador melhor para demorar menos tempo a secar o cabelo. 

Enfim, vou continuar no meu puzzle mental. Entretanto recupero também forças e energias e motivação.


segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Para sempre

 Não digo muitas vezes. Mas eu adoro os meus filhos. Digo-lhes a eles, às vezes ao calhas quando vamos no carro. Digo muitas vezes durante o dia. Mas ao resto do mundo, não sei se digo muitas vezes. Mas eles são extraordinários e extraordinariamente meus. Queixo-me muito, mas ser mãe deles é extraordinário. Adoro ser mãe deles. (fico em silêncio a sorrir de braços cruzados em frente ao computador). Já não me lembro de quando eram bebés. Sem darmos por isso, as páginas vão-se virando e eles cada vez mais são as suas pessoas. E eu também vou virando as minhas páginas de mãe, mas trocamos os mesmos olhares apaixonados de quando eram bebés e eu sorria e eles me devolviam os sorrisos mais bolachudos de todos. Viramos páginas mas continuamos assim. Mesmo com ataques de pré-adolescentes continua lá. E as coisas que me passaram despercebidas ou que quase esqueci quando cresci, relembro agora nos meus pais. E sou a mãe que sou porque sou filha deles, e porque sem cursos ou teorias, foram os pais que eu precisava e que me ensinaram o certo e o errado, e que estiveram do meu lado e ainda estão.

domingo, 10 de novembro de 2024

Por onde começar?

 “Amanhã vais trabalhar em casa ou no escritório?” -Sei lá.

“Amanhã quem vai levar o miúdo ao dentista e a que horas?” - Sei lá.

Vi uns reels de uma super mãe e ela consegue fazer tudo, sabem? A teoria dela é que temos de dominar isto da maternidade e não deixar que ela nos domine a nós. Só temos de nos organizar. Por isso amanhã eu vou acordar ainda mais cedo (ela acorda às 5h todos os dias ok?) e vou planear num diário como ela faz. Vou tomar banho e maquilhar-me como ela. Vou pentear e por gel aos miúdos (apesar dos dela não saírem de casa). Vou planear tudo e chegar a horas e preparada para tudo. Lancheiras, trânsito, trabalho, dentista, vacina da gripe, dentista, reunião de pais, treino, jantar, estudar para os testes, arrumar tudo o que ficou desarrumado do fim de semana, bora lá. Vou estar preparadíssima para tudo. Mas só amanhã, hoje não ok? Hoje ainda vou ver mais uns vídeos dela que faz isto tudo e muito mais com 4 filhos, grávida, loira, linda e com alguém sempre a filmá-la. Se ela consegue, eu também consigo.

Ps - por falar em loira. Sabem que isto de eu ter deixado de pintar o cabelo deve-se em grande parte a eliminar a ansiedade de ver os brancos a nascer e agora quando é que vou passar 3h no cabeleireiro, certo?

domingo, 27 de outubro de 2024

Chove, mas isso que importa?

 Às vezes no inverno há dias em que chove constantemente. Todos os dias chove, está frio, os dias são cinzentos. Deixamo-nos levar e acabamos por ficar cinzentos também. Parece que vai ficar tudo assim para sempre. Devia fazer alguma coisa? Talvez, mas já estou tão cinzenta que não vale a pena. E já passei outros invernos, por isso penso com pouca esperança e pouco entusiasmo, isto às tantas passa. E a verdade é que, até agora, tem voltado sempre o sol. Às vezes dura mais, às vezes dura menos, mas acaba por voltar e assim nos vamos aguentando. Assim continuamos casados.  

domingo, 13 de outubro de 2024

Breathe in, breathe out

 Tenho tido semanas e fins de semana de loucos. Entre as coisas que há para fazer, as coisas dos miúdos, as coisas que os miúdos querem e pronto tenho de lhes dar atenção individual, não paro. Minto: hoje deitei-me 15 minutos no sofá e dormitei. Não sei se foram 15, porque dormi entre os apitos que a máquina de lavar faz quando para. E claro, levantei-me e fui estender a roupa. E ajudar com os tpcs. E por mais roupa a lavar. E ir andar de trotinete e ensinar a andar de autocarro e a ir comprar uma capa para o telemóvel e à procura de uma prenda de aniversário e a ir ao supermercado e a ligar à minha mãe e a procurar os casacos do João e a dobrar roupa e a coser as calças da Rita e a arrumar a sala e o frigorífico e a cozinha, porque nada diz caos melhor do que entrar na cozinha numa manhã de cozinha com o lava loiça cheio de comida a cheirar a massada de peixe. Desculpem a canseira - mas é só para vos dar uma ideia, dado que o descrito acima se passou entre as 14h30 e as 23h do mesmo dia. Imaginem o resto sabendo que não foi mais tranquilo.

Bem, mas como é que tenho então conseguido? Nova estratégia: vivo o caos um dia de cada vez. Como é que vai ser amanhã? Não faço ideia. Tenho reuniões até às 17h, reunião da escola às 17h e treino de basquete às 18h. Esta semana todos os dias tenho de ir ao escritório. Não esquecer que quinta há aniversário que, claro, ainda não planeei.

Se não viver o caos um dia de cada vez vou ficar submersa sobre essa onda gigante chamada ansiedade. Assim, olho-a só de longe e quando ela está a chegar surfo-a com a minha magnífica prancha chamada “bora lá “.

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Pequena epifania

 Na outra semana estive sozinha uns dias com os meninos. Fiz tudo o que foi preciso e, guess what, não me chateei. Não tinha ninguém para culpar e me stressar. E então pensei: então porque é que não adopto este mindset sempre? Porque não assumir que faço tudo e assim, se alguém não fizer nada, já não me vai enervar. Juro que não estou a ser cínica e juro que até que anda a funcionar. E se calhar o grande tcha nan está aqui: eu faço tudo o que faço porque sim, 95% das vezes os meus filhos são a prioridade. Se andam no basquete, no hóquei, em nada, é porque eu acho que é o melhor para eles e então faço o “sacrifício”. Sim é uma seca passar tanto tempo a conduzir de um lado para o outro, mas compensa. Eles estão felizes. E eu, stressada, às vezes com palpitações, cansada, gasta, mas também estou feliz. E não queria que eles estivessem na escola até às 19h, mesmo que isso significasse que eu tinha uma vida mais tranquila.

Como é que vou fazer amanhã e todos os outros dias de logística? Pois ainda não sei, mas de certeza que vou conseguir fazer tudo.

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Pensar incomoda como andar à chuva

 “Essas coisas que dizes

Afinal não são verdade

Mas se nos fazem felizes

Então isso é a felicidade”


Dantes era assim. Agora é “deve ter sido o chatgpt “.

Estou velha e cínica? Talvez. Estou certa? Talvez. Não é isso que importa aqui. Importa reconhecer o gesto, mais ou menos banal, reconhecer e agradecer. Porque foi um gesto e sabemos que nem sempre há muitos. Importa reconhecer as palavras, venham elas de onde vierem, e acreditar que as palavras ainda beijam como se tivessem boca. E é verdade que impacto causaram, fizeram pensar- apesar de eu achar que neste caso pensar não é a melhor ideia. É mais deixar o rio correr, evitar os turbilhões e percursos complicados e ir deixando andar. 


domingo, 15 de setembro de 2024

Don’t let the sun

 … e começou.

Primeiro pensei numa metáfora “máquina de lavar”. Depois achei que é mais o comboio que começou a andar e eu vou a correr atrás dele. Talvez o melhor seja mesmo: eu estou dentro duma máquina de lavar roupa, bum bum bum, enquanto corro atrás de um comboio.

E que comboio é esse, you may ask? Pois tudo o que eu tenho para fazer, pois claro. 

Tenho tentado repetir “lembra-te, tu fazes isto porque gostas”. Tentado ver o sol nas milhentas coisas que nascem como cogumelos.

Para acabarmos numa nota inspiradora, mais tranquila e com menos ansiedade: hoje vi o horizonte depois do sol se pôr.

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Back

 Último dia de férias.

Bum. Consegui. 3 meses de férias geridos. E era só isso que eu queria dizer. Consegui. Com ajudas, claro, mas consegui. Geridos - sim, geridos.

E agora, depois de um dia de festa e aniversário, volta a escola e a minha cabeça já começa a rodar. Ah pois, porque isto é só reclamar das férias, mas quando elas acabam, toca a reclamar da escola. Amanhã de manhã não esquecer lancheiras, formulários, dar o antibiótico, tirar uma fotozinha aos 3, pequenos almoços, birras, por os atacadores nos ténis. Ah e eu tenho dentista e no final do dia há treino. E é o primeiro dia, por isso vamos buscar cedo. E quando digo “vamos” I mean…

Yep, já sabemos como é.

domingo, 11 de agosto de 2024

Cuidar ou não cuidar, eis a questão

Quando ele começou a trabalhar disse-me que não podia falar ao telemóvel durante o dia porque estava a trabalhar. “Nem uma mensagem?”. Ao dormir, não podíamos estar encostados porque fazia calor. No sofá, cada um no seu lado para não ficar apertado. 
Eu via aqueles casais que são melhores amigos e partilham tudo e sentia que eu estava tão longe. A vida foi acontecendo e os sinais continuaram. Nos momentos mais difíceis, não mudou. Quando a minha avó esteve meses internado em Santa Maria, não lhe ouvi palavras de conforto ou simplesmente uma pergunta de como era aquilo lá. De como era visitá-la nos cuidados intensivos, ou depois já no internamento, ou apenas como era ir lá todos os dias e de como chorava compulsivamente no carro em tantos desses dias. Vieram os filhos, nos bons e nos maus momentos, igual. 
E hoje dou por mim, quarentona, com uma espada no peito quando oiço “cocó”, digo “podes ir tu que já acabaste de comer e eu não” e em vez de um “claro”, levo com um olhar de “quer dizer, não dá jeito nenhum estar a levantar-me agora, casa de banho dos homens?”. Fiquei tão triste, sabem? Fico assim a sentir-me uma pequena merda. Ai credo, que exagero. Conseguia arranjar mais 599 exemplos. Acho que é isso que me faz sentir sozinha, a falta do cuidar, do cuidado, da atenção, do mimo. Verdade que euzinha estou praticamente no mesmo nível de besta, mas porque já não quero saber.

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Vacances

 Acho que todos os anos digo o mesmo, como bom disco partido que sou, mas não percebo o conceito de férias. De repente temos de sair da nossa realidade que nos consome quase o ano todo, mudar completamente, ficar super felizes e aproveitar ao máximo. “Uau vais de férias, que sorte!”. Hmmm. Ficamos de novo confinados com a felicidade de estar com a nossa família 24x7. Já não há cá tempo no trânsito, tempo no trabalho, tempo em nada, só há tempo de qualidade todos juntos. Ahahahah. Eu, para além disto tudo, tenho a sorte acrescida de vir para um sítio com praia e piscina. E um tempo de merda que nunca da para as aproveitar. Numa casa que é um cubículo húmido. Tenho a alegria de alimentar os meus filhos várias vezes por dia, de lhes ir buscar coisas o tempo todo, de andar o dia para a frente e para trás carregada que nem um burro, de lhes aturar as birras e as discussões, as opiniões e pedidos.

Já dei comigo a pensar que este deleite servirá para me fazer apreciar ainda mais a minha doce realidade dos outros 340 dias. Guess what, eu já aprecio! A sério! O que mais aprecio é sem dúvida os preciosos momentos em que estou sozinha.

E sem frio, já agora.

Yeayyyy estou de férias. Ainda não estou a metade. Iupiii.

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Rain can’t reach me

 Estou de férias. Yup.

Tenho muitas saudades de ver os Foals em concerto. De estar ali, só estar.


terça-feira, 9 de julho de 2024

Reflexões

Gostava de ser adulta sem ser adulta. 

Gostava de me sentar à noite a ver a noite.

Gostava de ouvir música e ler poesia.

Se calhar gostava só de ser uma adulta mais fixe.

(Será que não posso ser?)

Gostava de passar tempo não contado a olhar para nada.

Gostava de escrever só pelo gosto de encher páginas em branco.

Gostava de não sentir um deserto quando me perguntam o que faço for fun.

Gostava de poder contar algo fixe que fiz que tivesse sido há menos de um ano.

Gostava que os momentos vividos durassem mais tempo.

Gostava de dormir mais e de sonhar mais.

segunda-feira, 6 de maio de 2024

Dia mãe

 Hoje foi mais um dia daqueles. Trabalhar em casa, estender a roupa, ir buscar à escola, levar ao dentista, levar a almoçar, vir para casa, trabalhar, ir buscar os outros à escola, trabalhar, rever trabalhos de matemática, arrumar a cozinha, fazer o jantar, tudo sozinha até às 20h. Pelos cabelos. Dobrar roupa. Mas depois mudou. Li histórias, dei banho, li mais histórias, cantei canções, deitei-me com outro, conversamos, e no final ainda um abraço do mais velho (ali pela altura de estar pelos cabelos passei-me, ralhei e disse asneiras - e quando isto acontece eles percebem que afinal eu sou humana). Agora sinto-me bem. É reconfortante pensar que é isto, que é ser mãe de pessoas que ainda no outro dia eram bebés e agora estão tão grandes. Que é o meu papel, o meu verdadeiro papel. São eles. E se calhar preciso novamente de assumir que a carreira tem de esperar, ou que nunca vou ser muito mais do que isto, e que a igualdade já não virá na minha geração. Um dia, em breve, eles já não vão precisar que os vá buscar e levar e brincar e ver trabalhos da escola. Aí eu que seja o que quiser, mas, até lá, sou mãe. Porque como eu hoje disse no carro, entre as voltas para cá e para lá, faço isto tudo porque eu quero. Porque eu quero. Porque eu quero. Porque eles merecem tudo de mim. Hoje estou em dia mãe.

domingo, 21 de abril de 2024

Not ok

 Não ando bem. Tenho sentido que estou ali perto do limite. Só de pensar na próxima rotina, qualquer que ela seja, dá-me um misto de esgotamento e ansiedade.

Só esta noite quase que chorei duas vezes: quando perguntei à minha filha se queria comer mais e ela revirou os olhos, suspirou e disse que não; e quando vi que o líquido das lentes estava a acabar e não tinha mais no armário. Só a ideia de ter mais uma coisa para fazer deixou-me à beira das lágrimas. Mas, vamos pensar positivo: quase chorei mas não chorei. O que deve ser um sinal que não estou ainda no limite. Se calhar daqui a bocado depois de ir passar umas boas horas ao computador a fazer as coisas que nunca consigo acabar porque estou sempre atulhada e sempre a sair mais cedo sem que isso seja notado cá em casa, talvez aí tenha mais um mini meltdown.

Brincadeiras à parte, não estou bem. Sinto que nunca recupero, mesmo quando descanso um bocadinho. Sinto-me sozinha no meio do lodo. Se calhar devia dizer que não estou bem. Que só a miragem de mais uma coisa para fazer me faz gatilhar pela borda. Que não sendo nada pessoal, seria bom ter apoio pró-activo.

Enquanto escrevia este pequeno texto lembrei-me de mais 2 coisas que tenho de fazer. E há mais um sentimento que vem junto com as to-dos: o sentimento de ser um falhanço constante. Porque a esta altura já devia ter comprado a prenda do meu afilhado. Só que é assim: eu não consigo. Eu não consigo. Juro que estou a dar o melhor que consigo - não é o meu melhor mas é o que eu consigo.

Eu não estou bem. E eu não consigo.

segunda-feira, 8 de abril de 2024

Time moves slow

 Primeiro dia de escola depois das férias. Menos para mim, para mim é dia de férias. 

Conseguia nas boas dar-vos já uma lista de 20 coisas que preciso de fazer hoje. Mas, agora, estou deitada na cama a ouvir “time moves slow”. Que é um equivalente mais moderno e mais melancólico que o “sitting in the dock of a bay”.

Vou parar aqui um bocadinho. Só parar e ver o mundo continuar a girar. Só ouvir a música para tentar calar as vozes da minha cabeça que me dão tantas coisas para fazer.

terça-feira, 26 de março de 2024

It’s the living that is hard

 Eu vivo já numas areias movediças de cansaço, alternando entre momentos em que me mexo e acredito que vou sair e entre momentos em que mexer já é impossível, tal não é o peso que tenho em cima de mim, e tento manter apenas a face à superfície.

Toda eu sou já cansaço, não é uma questão de cansaço acumulado, é já o meu ser.

Boa noite.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Kill the captain, kill the crew

 Nem sei por onde começar. Tenho um misto daquela sensação das forças que abandonaram o meu corpo cansado com aquela raiva de “eu faço esta merda toda sozinha”.

Sim, continuo a girar neste ciclo infinito de sempre. E, de entre os dois, venha a raiva. Porque sim, eu consigo fazer esta merda toda. De facto, não interessa muito se me sinto bem ou mal, se me doem as costas, se passo horas no conputador à noite quando alguns de nós passam essas mesmas horas sentados no sofá a jogar telemóvel. Eu estou no computador porque toda a minha vida revolve à volta de horários de pequenas pessoas que é preciso ir buscar. Alguns de nós estão-se a cagar; outros não. 

Onde é que esta raiva me vai levar? Provavelmente a lado nenhum, porque os meus filhos nunca me irão agradecer o esforço de me ter rebentado toda anos a fio; o meu marido quer dizer, lol, sobram-me duas coisas: o meu trabalho e mudar o mundo. 

Sinto-me como aqueles desgraçados que fazem iron man e que no final já não aguentam mais mas continuam e chegam à meta.

E voltando às minhas resoluções de ano novo: não há duas prioridades, há uma. Eu. Não vou gastar as minhas escassas energias a tentar melhorar uma relação em que uma das pessoas só vê o seu umbigo e o seu telemóvel.

E bom dia a todos.


domingo, 7 de janeiro de 2024

Uma pedra para ti, uma pedra para mim

 Agora à noite meti a mão ao bolso e lá dentro estava uma pedrinha. O meu número 3 às vezes chega ao pé de mim, dá-me uma pedrinha e diz “estava no recreio, vi esta pedra e trouxe para ti”. Esta deu-me e disse “toma, para juntares à tua coleção de pedras”.

Pode haver coisas mais fofas, mas eu desconheço.