Aos poucos começo a conseguir descansar e recuperar. Cheguei ao fim de dezembro exausta, física e psicologicamente. Em setembro, disse em voz alta: este ano (lectivo) vai ter de ser diferente, se não eu não aguento. Não foi diferente. Porque de manhã continua a ser preciso eu estar lá; porque à tarde eles continuo a ir buscá-los; porque há tardes livres e treinos e lá estou eu; porque o trabalho que fica por fazer de dia tem de ser feito à noite, porque aos fins de semana há tantas coisas para fazer, porque, porque, porque.
Agora, à medida que vou descansando, vou tentando decifrar este puzzle do que posso mudar para mudar. Para não chegar a um limite tal como foi o deste ano (e não foi só em dezembro, vários posts deste ano comprovam). Posso comer melhor, sim. Posso ler livros em vez de reels, sim. Posso ir a mais concertos, sim. Mas como posso dormir mais? Como posso não ter de trabalhar à noite? Como posso aliviar a carga diária de arrumar loiça, estender roupa, fazer jantar, ajudar com tpcs? Como fazem vocês, mães solteiras? Oh que disparate, tu não és mãe solteira. Não, mas. E não vale a pena dizerem, não vou pedir “ajuda”, não vou pedir por uma distribuição mais equilibrada, não vou pedir nada. Não vou pedir a alguém para fazer o que devia fazer, o que devia querer. Não vou. Antes arrastada, anémica, cadavérica, à beira de um colapso nervoso. Já disse aqui antes, tudo o que faço é porque quero. O trabalho não vai abrandar, pelo contrário, os meninos não vão deixar de precisar de mim, pelo contrário. Posso trabalhar mais dias em casa. Posso comprar um secador melhor para demorar menos tempo a secar o cabelo.
Enfim, vou continuar no meu puzzle mental. Entretanto recupero também forças e energias e motivação.