sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Desdém

 Um olhar, uma expressão, um revirar de olhos, uma frase. Já não sei se é só desdém ou se chegámos à fase em que nos odiamos, em que por um motivo banal qualquer todo o fel vem ao de cima.

E sabem como me fico a sentir? Pequenina. Magoada. Triste. Naquele meu sítio onde existo sozinha. Sozinha, tão sozinha, sempre sozinha.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Life is yours

 Só que não.

Como todos sabemos, a nossa vida não é nossa. Ou não é só nossa. É também de todos os que criam expectativas para nós e por nós. De cada vez que esperam que façamos alguma coisa de alguma maneira, estão-nos a roubar um bocadinho a nossa vida.

A minha vida.

E não falo só dos filhos, porque desses já esperamos que assim seja. Mas de todos os outros adultos à nossa vida que querem alguma coisa de nós, só para completarem alguma coisa do lado deles. Na maior parte do tempo, são pequenas coisas, pequeninas até, mas para mim todas elas me roubam um bocadinho da minha vida (temporariamente) todas elas me desviam do que eu quero fazer. Uma prenda de anos que traz agarrada uma ação e decisão, para mim já um presente tão envenenado que nem o quero abrir (porque é que me queixei da camisola do ano passado?).

Por isso é que o meu caminho cada vez é mais feito sozinho e em silêncio. Por isso é que o que quero fazer no meu dia de anos é nada e sozinha. Não porque não queira estar com outros mas porque eles vão exigir de mim acções e decisões. Vamos almoçar, onde? Vamos sair, onde? Vamos ficar em casa, a fazer o quê? E com dias com tanto pouco silêncio, às vezes só quero mesmo estar sem ter de falar, responder, decidir, escolher.

e agora tenho de ir, porque se acabou o meu paraíso :)

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Pensamento do dia

 Uma vez, era eu adolescente, um rapaz que eu conhecia resolveu pegar-me ao colo por brincadeira. Eu não me conseguia soltar, disse várias vezes para ele me largar e ele continuava divertido a mostrar como era mais forte do que eu.

Agarrada contra a minha vontade, sem me conseguir livrar daqueles braços que me prendiam, ferrei-lhe o dente e mordi até me largar. Acho que até chorou um bocadinho, mas largou.

Era este o pensamento do dia que queria partilhar. Boa noite.

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Mala para as férias

 Aqui vos os mantras para as férias. Depois digo quantas vezes vim cá reler.

Não stressar, não amuar, não desesperar.

Go with the flow (mas não com o vento).

Relaxar. Viver o momento, mesmo quando o momento for uma mega birra para por protetor solar ou tomar banho ou qualquer coisa ainda mais irrelevante.

Descansar, dentro do género, deixar o telefone.

E pronto. Vou tentar. Normalmente quando falo destas férias é sem o mínimo de entusiasmo. Mas estou a tentar!


domingo, 17 de julho de 2022

Eu estive lá

 Há coisas que não dá para explicar. Andava com aquela atravessada para ir ao concerto mas não tinha companhia e não ia sozinha para o Meco - mas ainda considerei. Dois dias antes, a notícia: o concerto ia ser na expo. E eu comprei dois bilhetes. A minha potencial companhia disse que sim, mas no dia disse-me que não podia ir.

Com a confiança dos 40, agarrei em mim e fui sozinha a um festival de verão. Comi, bebi, vi dois concertos e depois o momento tão esperado. Eu estava aos pulinhos de emoção por aquele momento. Quando começaram a montar o palco eu não queria acreditar. Quando entraram no palco e começaram a tocar, era real. A banda que oiço em non stop há dois anos, que cresceu em mim em todas as noites de trabalho, que oiço no carro todos os dias, que me energiza, que me inspira, que me anima, estava ali, à minha frente. E foi espetacular. Eu estava mesmo ali e conseguia vê-los. E era algo que fez sentido fazer sozinha, aquela música é minha, eu queria vibrar com ela sem ter de me preocupar com quem estava ao meu lado. E saí de lá com uma felicidade tão grande, exausta e suada.

#foalsforever