domingo, 28 de junho de 2015

Cucurucucu, tu, me amas tu?

Uma frase, uma palavra. Como foi, como estás, o que fizeste.
Isso ou nada.
A preocupação, o interesse, a curiosidade. O nada.
Nem que seja fingido, por cortesia, por obrigação, mesmo que a intenção nunca seja ouvir a resposta.
Por casa pergunta que não é feita, trilhamos o nosso caminho. Os nossos caminhos. Não é um, são dois. Por cada pergunta que não é feita vamos divergindo. Por cada pergunta que não é feita é mais uma temporada naquele lugar onde estou sozinha, tão sozinha, sempre sozinha. Mas querendo, vejo que não estou sozinha, que tenho outros que me fazem essas perguntas. E até querem ouvir. Quem está lá, sempre lá, a mãe. A minha mãe. Pergunta, ouve. à medida que envelhecemos, eu e as minha mãe, e os nossos caminhos que voltam a convergir um bocadinho e a andar lado a lado.

Assim vamos caminhando, lentamente, todos os dias um bocadinho mais longe um do outro. Tranquilos, fingimos que não vemos, que não reparamos nos pequenos gestos que deixámos de ter, na palavras que já gastámos, nas perguntas que já não fazemos, tão somente porque não queremos saber das respostas, porque nem nos lembramos. Assim vamos andando, até que uma dia vão aparecer outros e outras que nos façam relembrar que somos homem e mulher. Até lá, caminhamos, vemos os filhos a crescer, nós a envelhecer.