domingo, 11 de agosto de 2024

Cuidar ou não cuidar, eis a questão

Quando ele começou a trabalhar disse-me que não podia falar ao telemóvel durante o dia porque estava a trabalhar. “Nem uma mensagem?”. Ao dormir, não podíamos estar encostados porque fazia calor. No sofá, cada um no seu lado para não ficar apertado. 
Eu via aqueles casais que são melhores amigos e partilham tudo e sentia que eu estava tão longe. A vida foi acontecendo e os sinais continuaram. Nos momentos mais difíceis, não mudou. Quando a minha avó esteve meses internado em Santa Maria, não lhe ouvi palavras de conforto ou simplesmente uma pergunta de como era aquilo lá. De como era visitá-la nos cuidados intensivos, ou depois já no internamento, ou apenas como era ir lá todos os dias e de como chorava compulsivamente no carro em tantos desses dias. Vieram os filhos, nos bons e nos maus momentos, igual. 
E hoje dou por mim, quarentona, com uma espada no peito quando oiço “cocó”, digo “podes ir tu que já acabaste de comer e eu não” e em vez de um “claro”, levo com um olhar de “quer dizer, não dá jeito nenhum estar a levantar-me agora, casa de banho dos homens?”. Fiquei tão triste, sabem? Fico assim a sentir-me uma pequena merda. Ai credo, que exagero. Conseguia arranjar mais 599 exemplos. Acho que é isso que me faz sentir sozinha, a falta do cuidar, do cuidado, da atenção, do mimo. Verdade que euzinha estou praticamente no mesmo nível de besta, mas porque já não quero saber.

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