Eu via aqueles casais que são melhores amigos e partilham tudo e sentia que eu estava tão longe. A vida foi acontecendo e os sinais continuaram. Nos momentos mais difíceis, não mudou. Quando a minha avó esteve meses internado em Santa Maria, não lhe ouvi palavras de conforto ou simplesmente uma pergunta de como era aquilo lá. De como era visitá-la nos cuidados intensivos, ou depois já no internamento, ou apenas como era ir lá todos os dias e de como chorava compulsivamente no carro em tantos desses dias. Vieram os filhos, nos bons e nos maus momentos, igual.
E hoje dou por mim, quarentona, com uma espada no peito quando oiço “cocó”, digo “podes ir tu que já acabaste de comer e eu não” e em vez de um “claro”, levo com um olhar de “quer dizer, não dá jeito nenhum estar a levantar-me agora, casa de banho dos homens?”. Fiquei tão triste, sabem? Fico assim a sentir-me uma pequena merda. Ai credo, que exagero. Conseguia arranjar mais 599 exemplos. Acho que é isso que me faz sentir sozinha, a falta do cuidar, do cuidado, da atenção, do mimo. Verdade que euzinha estou praticamente no mesmo nível de besta, mas porque já não quero saber.
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