quinta-feira, 30 de junho de 2016

Epifania

Somos mães, mulheres, trabalhamos - tudo isto implica assim um certo malabarismo, muita culpa e muito desespero por não conseguirmos fazer tudo bem ao mesmo tempo - sou uma mãe dedicada porque não falto as festas da escola, sou uma trabalhadora pouco dedicada porque deixo o trabalho enquanto outros lá ficam. Os filhos esgotam-me a energia, e quem paga é o marido. E por aí fora, toda a gente sabe ou imagina como é. 
Mas no outro dia tive uma epifania. Por acaso, foi um dia em que pude assistir à natação e por acaso fui com a Rita também. O João nao sabia que eu estava lá. E quando me viu, sorriu mas com um sorriso tão grande e tão feliz que se fez luz - é isto. É para isto que tenho de viver nos próximos anos, para eles. Sei que parece um discurso pouco moderno e contra aquelas teorias de que precisamos de tempo para nos, tempo a dois, blá blá, mas naquele momento, tudo fez sentido. Aquele sorriso, aquela sensação de eu ser a pessoa dele, a pessoa mais importante, o centro daquela felicidade.
Os meus filhos ja eram a minha prioridade, mas penso que depois daquela epifania apaziguou um bocado a tal culpa, o tal desespero de nao conseguir fazer tudo. Nos próximos anos, é para isto que vivo. Se calhar os meus filhos nunca me vão agradecer, como eu nunca agradeci aos meus pais, se calhar não vão descobrir a cura para o cancro ou  uma fonte inesgotável de energia, mas acho que o amor é mesmo isto, dar sem esperar receber. Só quero aquele sorriso - hoje para mim, no futuro será para outros.
Epifania que não invalida o meu outro objectivo: dar sorrisos também a outras crianças.