Mas
no outro dia tive uma epifania. Por acaso, foi um dia em que pude
assistir à natação e por acaso fui com a Rita também. O João nao sabia
que eu estava lá. E quando me viu, sorriu mas com um sorriso tão grande e
tão feliz que se fez luz - é isto. É para isto que tenho de viver nos próximos anos, para eles. Sei que parece um discurso pouco moderno e
contra aquelas teorias de que precisamos de tempo para nos, tempo a
dois, blá blá, mas naquele momento, tudo fez sentido. Aquele sorriso,
aquela sensação de eu ser a pessoa dele, a pessoa mais importante, o
centro daquela felicidade.
Os
meus filhos ja eram a minha prioridade, mas penso que depois daquela
epifania apaziguou um bocado a tal culpa, o tal desespero de nao
conseguir fazer tudo. Nos próximos anos, é para isto que vivo. Se calhar
os meus filhos nunca me vão agradecer, como eu nunca agradeci aos meus
pais, se calhar não vão descobrir a cura para o cancro ou uma fonte
inesgotável de energia, mas acho que o amor é mesmo isto, dar sem
esperar receber. Só quero aquele sorriso - hoje para mim, no futuro será
para outros.
Epifania que não invalida o meu outro objectivo: dar sorrisos também a outras crianças.