quarta-feira, 19 de agosto de 2020

You need to check yourself

 Os meus filhos às vezes chamam-me má. Não ligo. Sei que sou boa mãe, não perfeita, não a melhor, mas sou boa mãe. Até porque normalmente estas acusações vêm depois de eu insistir para eles tomarem banho, lavram os dentes, coisas assim. Chamam-me de má porque estão magoados, chateados, frustrados e querem que eu me sinta mal também. Porque a fonte de todos os males é sempre de fora e nunca vem do facto de quando os chamei para irem para a banheira terem dito "não vou" ou terem fugido na hora de lavar os dentes.

Parece uma reflexão muito banal mas hoje no trabalho aconteceu-me algo semelhante. Mas aí magoou-me, apesar de também ter a consciência tranquila e saber que foi feito para me magoar, ferir, tocar naquele ponto sensível. E funcionou sabem? É um caminho de ainda tenho de continuar a fazer, focar-me no que sou e em quem sou - e eu sei que sou boa mãe.

terça-feira, 11 de agosto de 2020

 Não olho muito para trás. O tempo foi rolando e pouco a pouco voltámos ao "novo normal". Voltei a ter espaço e silêncio. Não olho muito para trás para relembrar ou reviver. Passou e isso era tudo o que eu queria. Março, Abril, Maio pareceram infindáveis quando os estava a viver sem esperança ou visão do que seria isso do novo normal, quando aceitaríamos o medo da ameaça e voltaríamos a pôr os pés fora de casa. 

Não olho muito para trás mas guardo comigo que foi muito difícil. Fui de férias, fui à praia. Já perto do fim da tarde todos brincavam e eu fui até à beira mar, a ouvir o quase silêncio, o infinito do mar calmo, o sol já poente. Entreguei ao mar todo o peso e negrume que estes meses tiveram. Passou. Sobrevivemos. Aprendemos e crescemos. Reconheci o esforço tremendo que passei e deixei-o ir. Estava a preparar-me para entrar no mar quando o N. apareceu ao meu lado e disse com um sorriso: vamos.

Esta é a parte em que ainda tenho de trabalhar. O que o isolamento aproximou, o regresso ao normal logo tratou de afastar. Eu sei que parte do problema está em mim. Sinto que tenho de fazer e ceder muito mais pela nossa família do que ele. Sinto que esse esforço não só não é partilhado como não é reconhecido. Não me importo de ser a super mulher mas queria pelo menos sentir apoio. Porque não sou super mulher, sou apenas mulher. Ele ter aparecido ao meu lado à beira-mar é um sinal - eu não estou sozinha, só tenho de arranjar maneira de parar pensar que estou. Como sempre, aceitar o que não vai mudar mas sem com isso continuar a afastar quem está ali ao meu lado.