terça-feira, 2 de novembro de 2021

40

 Hoje faço 40 anos. Parabéns a mim. Sabem quais são os planos para hoje? N-A-D-A. Adoro.

Sittin' in the mornin' sun
I'll be sittin' when the evenin' comes
Watching the ships roll in
Then I watch 'em roll away again, yeah
I'm sittin' on the dock of the bay
Watchin' the tide roll away, ooh
I'm just sittin' on the dock of the bay
Wastin' time
I left my home in Georgia
Headed for the Frisco Bay
'Cause I've had nothin' to live for
It look like nothin's gonna come my way
So I'm just gon' sittin' on the dock of the bay
Watchin' the tide roll away, ooh
I'm sittin' on the dock of the bay, wastin' time
Look like nothin's gonna change
Everything, still remains the same
I can't do what ten people tell me to do
So I guess I'll remain the same, yes
Sittin' here restin' my bones
And this loneliness won't leave me alone, listen
Two thousand miles, I roam
Just to make this dock my home
Now I'm just gon' sit, at the dock of the bay
Watchin' the tide roll away, ooh yeah
Sittin' on the dock of the bay
Wastin' time

Não têm sido uns dias fáceis. O Pedro voltou a acordar várias vezes de noite, o João anda impossível e pronto, eu ando cansada, rabugenta e com pouca paciência. No trabalho as coisas correm bem mas há sempre mais e mais e mais para fazer e mais e mais e mais que fica por fazer. Por isso as pessoas têm grandes expectativas para um aniversário de 40 anos (e eu também teria) mas na verdade não quero mesmo fazer nada. Hoje, pelo menos.Quero ter um dia em silêncio, sozinha e tentar reencontrar um pouco da minha paz, mesmo que as horas de sono continuem a ser uma anedota.
Parabéns a mim.

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Hoje já chega

 Às vezes precisava de uma folga. Não precisava de ser longe deles, podia ser só um dia sem ter uma discussão parva qualquer. Um dia sem haver discussão por causa do banho, aquela coisa que fazem todos os dias desde que nasceram. Podia haver um dia e que eles diziam “ok mãe, acho que está na hora de tomar banho, bora lá”. 

Só assim uma folgazinha. Não? 

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Nem tudo é uma merda

2021 não está a ser em nada mais fácil. Está mesmo a ser mais do mesmo, mais de 2021, mas mais, mais cansados, mais desesperados, mais sozinhos. Mas poder vir de férias, férias que já não vinha já dois anos, ainda por cima com a minha irmã, está a ser um verdadeiro paraíso, uma garrafa de oxigénio nestes tempos merdosos. Calor, cocktails e uma vida simples,está a valer-nos pela vida como nunca. No meio do muito mau, vem algo muito muito bom. As melhores férias de sempre.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Conversas imaginárias

 Como estás?

Trouxe-te um café/ um bolo / o teu chocolate preferido.

Eu vou aí durante o dia para poderes sair um pouco / ires buscar os meninos / ires comer uma refeição decente / ires a casa descansar / ires dar uma volta.

Tenho saudades tuas.

Queres que fique eu aí durante a noite?

Como é estar aí 24x7 com uma criança de dois anos?

Não te preocupes, ele vai ficar bem.

Tem alta hoje? Estou a ir para aí.

Estás cansada? Vai dormir que eu fico com ele.

Vamos todos buscar os meninos / vamos fazer um jantar especial, afinal, já há uma semana que não estávamos todos juntos.

Pois, conversas imaginárias . Normalmente estas situações servem para aproximar as pessoas mas no meu caso só servem para eu me sentir mais sozinha. Ainda mais. Parecem coisas banais não é? Coisas que consigo imaginar a serem ditas por várias pessoas à minha volta. Mas aquela pessoa com quem partilho a visa há 20 anos, com quem tenho 3 filhos, uma casa, um casamento, não me disse uma destas coisas. Vá, levou-me um café um dia. Porque eu pedi. E levou panquecas para o bebé, porque eu pedi. 


Juro que não percebo, eu acho que sou boa pessoa. E mesmo que fosse uma pessoa horrível, não deixava de ser uma pessoa que esteve no hospital uma semana com um filho doente.

sábado, 12 de junho de 2021

Ko

 Anteontem (tive de pensar 3 vezes qual foi o dia) quando ele começou com febre, pensei: não aguento. Ainda há duas semanas esteve doente, andei a trabalhar todos os dias à noite esta semana, estou ko, não consigo recomeçar nova jornada de febres, noites de febres, choros, birras, tentar trabalhar. Mas bem, a febre não teve pena de mim e começou a atacar. O meu marido como sempre descartou-se e eu, como já começo a aprender algumas coisas, disse que ia meter o dia de assistência à família, pelo menos assim tiro o trabalho da equação. Ia só a uma reunião ou outra (na verdade, tinha 4 planeadas, mas só se desse). Ia na primeira quando agarrei nele e trouxe-o para o hospital, a gemer de dores e eu verdadeiramente assustada que fosse uma apendicite ou tudo mais que me passou pela cabeça. Passei sinais vermelhos e quase liguei os 4 piscas. Ao choro, febre e gemidos juntou-se vómitos, análises, cateter, ecografia, teste à urina, teste covid, nova ecografia. Várias vezes durante o dia agarrei o meu filho à força enquanto ele esperneava e berrava e chorava. Sabem o que isso faz a uma mãe? Depois disseram que ia ficar internado, depois disseram que era numa espécie de SÓ, aqueles sítios abertos onde os doentes são separados por cortinas, há máquinas a apitar a noite toda, enfermeiros e miúdos a chorar ligados a pelo menos 4 fios - um sítio como aquele onde a Rita esteve. Sabem o que isso faz uma mãe? Hoje os crescidos vieram cá e só os pude ver pela janela com 4 andares de diferença. Sabem o que isso faz a uma mãe? Durante o dia boas notícias, mas ainda aqui estamos. Hey, já tomei banho, por isso sinto-me consideravelmente menos mal.

Não faço ideia de como vai ser os próximos dias, quando volto para casa, quando ele volta à escola, quando volto ao trabalho, se vou a formação do iseg  xpto. Não faço ideia de como vão ser os próximos dias - fazem ideia do que isso me faz? - mas vai ser dias de semana, há testes, resmas de roupa para lavar e dobrar.

Sabem como me sinto? E sabem quantas pessoas me perguntaram isso desde ontem? 3. Uma enfermeira, a minha mãe é uma amiga. Sabem como é importante quando estamos nesta situação, destruídas física e emocionalmente, alguém nos perguntar como estamos? lembram-se de que quando isto comecou eu ja estava ko.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

It's fine. This is fine.

 Levar os meninos à escola, despedir-me deles com um beijo enquanto penso: aproveita bem o teu último dia de normalidade sabe Deus em quanto tempo.

Amanhã as escolas fecham de novo. E desde que li a notícia, há 2 horas, que tenho falta de ar. Falta-me o ar. Estou em pânico. Tanto não penso em nada como penso em almoços, compras, escola, reuniões, desespero. Da primeira vez, em Março 2020 preparei-me: fiz planos de actividades às cores para os meninos, cartões de actividades, planeei com muita positividade tudo. Foi aquela fase bonita e inocente do positivismo - durou 1h. Agora é diferente, já passei por isso, sei que vai correr mal. Sei que vai ser o caos. Sei que vou ter de aguentar o barco. Vou ter de arranjar ar para os pulmões e vou ter de nos aguentar aos 5 na tempestade. Também já sei que não vai ser um esforço dividido, que não vai ser trabalho em equipa e que ninguém me vai perguntar se estou bem. Por isso vou ter de arranjar mecanismos para me aguentar. E é disso que tenho medo, de mim. E é isso que me tira o ar, é saber como me vou aguentar, como vou respirar, como vou conseguir.

It's fine. This is fine. 

Um dia de cada vez, um minuto de cada vez. Tu consegues. Respira.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Palavras leva-as o vento

 Ainda não me consegui atinar bem. Onde escrevo, blog, caderno, diário, qual.

Independente da forma, escrever (e não digo isto no sentido poético ou criativo da coisa, é mesmo apenas o acto de escrever) sempre foi para mim uma maneira de orientar as ideias. Era a minha companhia quando era adolescente e o meu passatempo era escrever páginas e páginas e páginas. É como desabafo, principalmente as coisas desagradáveis que não convém dizer a outras pessoas - ou tão simplesmente porque não há ali outras pessoas.

Pois bem, 2020, pandemia, work from home, blá blá. Por um lado há mais para escrever, mais reflexões, mais adaptações, aprendizagens; por outro há mais disponibilidade - mais tempo e mais flexibilidade.

Já todos nos conhecemos e sabemos que não consigo estabelecer uma rotina de "todos os dias a esta hora escrevo o diário". Não funciona. Tenho 40 anos e ainda não consegui, duvido que ainda consiga. Preciso de um diário onde escreva os devaneios da alma, as to-dos e os micro-objectivos a que me quero propor. Por exemplo, agora durante o banho tive uma boa ideia, mas é muito mundana para pôr aqui (ahahah). Pode ser (mais) uma ideia da treta, mas deixou-me bem disposta, com energia, ao ponto de a querer partilhar e a pôr aqui. E é isso que se quer, certo?

Portanto, preciso de um caderno!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Back to London thunder

Estive de férias, fui de férias. E foram férias. Consegui estar com a minha família no Natal e no Ano Novo, demos beijinhos e abraços, estivemos numa bolha Covid-free.

Hoje, 4 de Janeiro, está um frio de rachar, dia de voltar à realidade de noites mal dormidas, despertador a tocar cedo, casos de Covid no trabalho e um sobrinho esquisito.

Janeiro vai ser duro, por tudo e pelo facto de por uns dias nos termos esquecido desta realidade em que agora vivemos. Janeiro vai ser frio, solitário e mais um mês de medo. 

Começar 2021 com o que 2020 nos ensinou: calma, um dia de cada vez, sem sofrer por antecipação e sem fazer grandes planos.