domingo, 3 de maio de 2026

A vulso

Foi dia da mãe em fim de semana grande. Não tirei foto com os meus filhos todos,  nem com a minha mãe, mas estivemos todos juntos em família.

Fiz pães com chouriço, bolachas e Tartes.

Deixei os meus filhos tempo de mais nos ecrãs e dormi sestas.

Chateei-me com eles várias vezes e frustrei-me sem saber o que fazer. Mas acabamos a ter uma conversa a dois, primogénito e eu, séria e descontraída.

Tive saudades do trabalho e não tive.

Não fiz muitas coisas mas fiz algumas.

Não estou com grande vontade de voltar amanhã nem de ir ao treino de basquete do dia da mãe.

Apetecia-me ser dona de casa e dar festas.


sexta-feira, 24 de abril de 2026

Se eu fosse poeta

Tudo o que eu faço ou medito

É uma merda

Querendo quero o infinito

Fazendo é uma merda

Não sei mais do poema

E não quero ir procurar 

Tudo me entristece

Deve ser merda

Sou chata e nada interessante 

Olham para mim e acho que sim

Mas devem só achar ai coitada 

Não fales comigo assim

Diz ele

Não interessa se estou cansada com dor de barriga com muito barulho e imensamente triste 

Porque a mim não me pergunta, estás bem

Estou aqui, não diz e não mostra

E penso se seria mais feliz

Mas isso não interessa 

Porque os meus filhos não seriam

Falamos daqui a 10 anos ok?


quinta-feira, 23 de abril de 2026

Mais pensamentos mais ou menos soltos

 Só pode ir uma pessoa da família à atividade do dia da família na escola - quem queres que vá? O pai, porque ele foi menos vezes. Foi querido, porque disse com um ar como se o pai não tivesse ido porque não podia. 

Estudar é uma seca. Já viste, quando eu trabalhar como o pai, só trabalho no trabalho e descanso em casa. Como o pai? Então e a mãe é como? Tu estás sempre a trabalhar o tempo todo. E fiquei orgulhosa de ele ter a noção que eu trabalho muito mais. E estou sempre lá para eles.

Estou bem-ish. Até tenho um pouco de vergonha em escrever, mas mudei uma consulta que tinha às 17h porque não quis ter de falar e pedir para ir ele buscar os miúdos. Eu sei. Bem-ish, isto não é normal.

Mas há todo um desprendimento que me é difícil de processar. Já nem digo comigo, mas com eles. Ok e comigo. Num dia em que os 3 saem a horas diferentes, nem uma pergunta de como fizeram (já nem digo “como vamos fazer”). Não foi sempre assim, sabem? No primeiro filho ora ia um ora ia outro. 

domingo, 19 de abril de 2026

Pensamentos ao calhas

 Não, ainda não li nenhum poema.

Devia cortar o cabelo.

Gosto mais de sábados do que domingos.

Não acabei o meu Aperol e fui à Decathlon ao fim do dia.

Não falo muito em casa.

Sonhei com a Sete - era outra cadela mas eu sabia que era a Sete reencarnada noutro cão - e ela também sabia.

Tenho saudades da Sete.

Precisava de mais um quarto cá em casa.

Até amanhã.



quarta-feira, 8 de abril de 2026

Et voilá

 Já sei qual vai ser o meu (outro) hobby. Vou ler poemas e copiar os meus favoritos para um caderninho como fazia quando era miúda.

To be or not to be

 Vinha no caminho a pensar no puzzle que tenho para resolver. Ao fim de um ano a trabalhar “intensamente” (digamos assim de forma gentil) e meio ano a trabalhar “loucamente” (idem) a minha lenga lenga do “isto vai melhorar” vai perdendo força. O que eu não queria era que fosse só isto e que desse comigo a pensar daqui a uns anos o que fiz com este tempo. “Preciso de um hobby” pensei eu. Algo que eu goste e me motive e que me dê uma janela entre o trabalho e o finalmente cheguei ao sofá. E depois pensei “o meu hobby são os meus filhos”. Passar tempo com eles e fazer coisas com eles, na verdade, é o que eu gosto de fazer (também tenho de o fazer, mas gosto e quero).

Não sei.

I haven’t cracked the code. 

Eu gosto de trabalhar, gosto do que faço e gosto da pessoa que sou no trabalho. Só não gosto que seja tanta coisa que me tira horas de sono e energia para fazer outras coisas, para além do meu hobby.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Ou ela chora ou ela grita

 Eu já estava a superar a palete de leite. Quando veio a camisa. E o ralo. Ai Sofia, credo, é só um leite e uma camisa. Para mim é o mundo e toda a desconsideração que cabe nele. Toda a insignificância. Eu dizer algo dezenas de vezes, explicar, pedir, ralhar e mesmo assim ser ignorada. Digam lá, é de propósito não é? Se fosse de propósito pelo menos havia uma intenção. Não havendo nada, é só mesmo ignorar, é ser igual eu dizer algo ou não dizer. Anos a fio nisto, sobre tantas coisas. 

Olhei-me no espelho e disse: ele não quer saber, não te deixes tu afectar por isto. Repeti. Voltei a repetir. Mas ainda não funcionou. Não sei o que fazer ou como reagir. Choro? Grito? Ou vou embora como a pulga maldita?