quinta-feira, 19 de março de 2015

A verdadeira liberdade

Tive duas semanas de férias. De dondoca. De desempregada. De desocupada. E sabem que mais? Adorei. Nestas duas semanas andei quase sempre na rua, sozinha, as crianças ficaram na escola (tirando o dia que passaram em exclusivo com a mãe). É deliciosa a sensação de liberdade em andar sozinha, ir para onde queria e mais ainda, dos telefonemas inesperados a convidar para um café - tá bem, já aí vou ter. Tive muitos almoços com amigos, muita conversa, muito sol, muita rua. Nunca me aborreci ou senti sozinha. Adorei. Só tenho pena que a vida não permita mais férias destas. Férias sem ir de férias, férias só sozinhos com nós próprios, deixar andar e aproveitar a tal liberdade - dava comigo sozinha a sorrir. Feliz. No meio de tanta correria que é a vida e de tantas obrigações que temos - 8 horas de trabalho, tempo com as crianças, tempo com o marido, as horas de sono mínimas - devia também ser obrigatório termos reservado para nós próprios um tempo, uns minutos. Não sendo possível diariamente nem semanalmente, é possível quando dá, e quando surgem oportunidades como esta que tive, é de aproveitar. De apreciar.
Segunda-feira começa uma fase nova da minha vida. Até lá, aproveito estas férias, esta felicidade.

terça-feira, 17 de março de 2015

Oh tempo...

Quando somos mães pela primeira vez, estamos sempre ansiosas pelo próximo passo. Para se sentar, rebolar, comer a sopa, bater palminhas, começar a andar. Lembro-me que passei horas a hipnotizar o meu bebé com um boneco para ele o agarrar, porque sabia que aos 4 meses devia começar a agarrar coisas. Derretemo-nos com as primeiras palavras, com as gracinhas que vão aprendendo. Com a vinda do segundo, então vá de crescer ainda mais depressa. Andar sempre a pé que o colinho acaba, dormir numa cama de crescido, subir sozinho para a cadeira do carro, deixar a fralda e falar que é para dizer logo o que quer, que a mãe já não tem tanto tempo nem paciência para decifrar mensagens.
Quando somos mães pela segunda vez o tempo passa com o dobro da velocidade. Já não há tempo para passar o dia a olhar enternecida para o bebé. Há que arrumar a casa que está sempre um caos, fazer sopas e jantares e sempre que possível, dormir - é que agora são dois a acordar de noite e a chamar pela mamã. Há assim uma noção - com a tua idade o teu irmão já fazia isto, ai é muito mais despachada que o irmão, mas lá está, o tempo tem outra velocidade. Depois é um misto. Por um lado estamos desertas que cresçam, que se sente para brincar sozinha, mas enquanto a posso deixar sozinha na espreguiçadeira também é bom. Que comece a comer, se bem que agora é preciso fazer duas sopas diferentes. Que beba do biberão, mas assim vai deixar a maminha. Ah, pode ser que comece a dormir mais de noite, mas deixa de precisar da mãe. Só da mãe. Porque queremos que ela fique bem na escola, que vá ao colo de toda a gente para termos uma folga e podermos fazer outra coisa, mas lá no fundo, queremos ser o único colo que a acalma quando chora, queremos no meio de tanta independência que continue a precisar da mamã, só da mamã. É que passou num instante, e já tenho saudades do tempo que virá em que vou ter saudades dos meus bebés.
Ser mãe é querer que o tempo passe a correr e que não passe. Por isso é que as desgraçadas das crianças continuam a ser os bebés da mamã até... até sempre.