sábado, 18 de outubro de 2025

Dreaming of

 Às vezes fico tão cansada de mim própria que já nem me consigo aturar - precisava de férias de mim.

Senta-te bem. Não tens trabalhos? Vá, vamos fazer os trabalhos. Porque tem de ser. Vai-te deitar. Agora. Se não amanhã estás muito cansado. Limpo as migalhas da bancada. Estendo a roupa quando a máquina acaba de lavar porque só eu oiço o som. Ponho as garrafas cidrão. Bufo quando o saco do lixo fica cheio. Não comas agora que vamos jantar. Mais doces não. 

Credo.

Dias inteiros disto. Não podia eu ser uma pessoa interessante que lesse poesia às crianças (por acaso esta semana li)? Não podia eu deixá-los fazer o que quisessem? É tão cansativo ser o adulto da casa.

Vou dormir e sonhar que sou uma pessoa mais interessante, num mundo inventado sem migalhas ou roupa por dobrar.


Nada

 Há um poema que diz qualquer coisa como as palavras serem um punhal. E há palavras que por não serem ditas nos vão encolhendo, encolhendo até ficarmos bem pequeninos.

Um obrigado. Era só isso que era preciso. Obrigado pela ideia, por tudo, por tudo em cima de tudo que já levas em cima de ti.

Silêncio.

Vazio.

Pequenina.

Triste.

domingo, 12 de outubro de 2025

Saudades.

 Hoje vi uma senhora velhinha e, como acontece quase sempre, lembrei-me da minha avó e senti uma saudade tão grande. Mas tão grande que comecei a chorar na rua. Saudades de ter uma avó que cuidava de mim, que me dizia com toda a sua sinceridade que rezava por mim (rezava por todos, filhos e netos), que me segurava na mão e me falava na sua voz velhinha e tremida. Saudades da minha outra avó, dos seus abraços desajeitados mas genuínos. Dos avôs. Tudo tão presente na minha lembrança que me doeu (e dói) tanto aquela saudade. Ninguém nos prepara para como nós vamos sentir sozinhos quando somos adultos. Podemos saber e fazer muitas coisas mas somos crianças que já não são abraçadas. Crianças sozinhas e cansadas em corpos de adultos. 

Tenho saudades dos meus avós, tantas.


domingo, 5 de outubro de 2025

Bora lá outra vez

 Acabei a sexta-feira exausta e desmoralizada com o trabalho. Então fechei-o na gaveta, abracei os meus meninos e comecei um puzzle. Tive um date de almoço e cinema com o mais pequeno. Fui a uma caminhada de 5 km e socializei. Fui a um jogo de basquete às 9 da manhã de domingo e fui aos meus pais. Os meninos brincaram na piscina e eu vi televisão no sofá. À noite ia trabalhar mas em vez disso fiz o meu puzzle. 

A próxima semana promete ser mais uma sova, mas quando se têm filhos espetaculares como os meus, estar junto deles torna tudo melhor.