quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Eu, a miúda

Se me perguntarem assim de repente a idade é capaz de me sair um 27. Apesar das rugas e dos já incontáveis cabelos brancos, acho mesmo que as pessoas quando passam por mim pensam: olha esta miúda. Pois na minha cabeça, é a imagem que tenho de mim mesma: uma miúda. E mesmo quando ando com os meus filhos, uma miúda.
Entra então aqui a teoria que desenvolvi recentemente: os filhos é que nos envelhecem. Eu continuo a mesmíssima, mas o meu filho está consideravelmente diferente: há 3 anos ainda vivia na barriga da mãe e hoje é um rapazinho feito. A miinha filha que há 1 ano era do tamanho de um feijãozinho, é hoje uma bebé de quase 6 meses que já passa os dias longe de mãe. Ah pois é, eu continuo a mesma miúda, mas afinal já passaram 3 anos e eu tenho a prova disso cá em casa. Eles envelhecem-nos mas nós também não damos bem conta disso. Há provas, indícios: a roupa que lhes deixa de servir, as palavras novas que dizem todos os dias, as vontades que expressam - se estivermos atentos, elas estão lá. Mas todos os pais também sabem que à parte das provas, à parte do que eles e o resto do mundo dizem, eles continuam a ser os nossos bebés. Vão aprendendo a andar, a falar, deixam as fraldas e as chuchas, mas são os nossos bebés. E presumo que só quando apanhar o meu bebé a fumar, a beijar uma rapariga, a surripiar-me os trocos da carteira, a dizer que vai sair à noite ou que quer ir de férias sozinho é que me vou aperceber de que o tempo passou. Porque de resto não sentimos. Quando era criança uma pessoa de 40 anos era velha, hoje 40 é normal, 60 ainda é mais ou menos, ok, 70 já é velho.
Eu? Eu sou uma miúda, tenho só... er.... 33. O meu sobrinho que nasceu enquanto eu ainda estava na universidade? Já tem 9 anos. Esquece lá isso. Eles é que estão crescidos, eu não estou velha!