Hoje foi mais um dia daqueles. Trabalhar em casa, estender a roupa, ir buscar à escola, levar ao dentista, levar a almoçar, vir para casa, trabalhar, ir buscar os outros à escola, trabalhar, rever trabalhos de matemática, arrumar a cozinha, fazer o jantar, tudo sozinha até às 20h. Pelos cabelos. Dobrar roupa. Mas depois mudou. Li histórias, dei banho, li mais histórias, cantei canções, deitei-me com outro, conversamos, e no final ainda um abraço do mais velho (ali pela altura de estar pelos cabelos passei-me, ralhei e disse asneiras - e quando isto acontece eles percebem que afinal eu sou humana). Agora sinto-me bem. É reconfortante pensar que é isto, que é ser mãe de pessoas que ainda no outro dia eram bebés e agora estão tão grandes. Que é o meu papel, o meu verdadeiro papel. São eles. E se calhar preciso novamente de assumir que a carreira tem de esperar, ou que nunca vou ser muito mais do que isto, e que a igualdade já não virá na minha geração. Um dia, em breve, eles já não vão precisar que os vá buscar e levar e brincar e ver trabalhos da escola. Aí eu que seja o que quiser, mas, até lá, sou mãe. Porque como eu hoje disse no carro, entre as voltas para cá e para lá, faço isto tudo porque eu quero. Porque eu quero. Porque eu quero. Porque eles merecem tudo de mim. Hoje estou em dia mãe.