segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Requisito mandatório

Todos os homens em relações deviam ter perto de si uma mulher, amiga, irmã, whatever, que lhes desse na boca sempre que fosse preciso. Sempre que fossem egoístas, insensíveis, burros, bestas - homens - com as suas esposas. Alguém que lhes disse, pegando num exemplo completamente hipotético, olha lá pá, se estás em casa há 3 semanas, a tua mulher anda a trabalhar que se desunha, de dia e à noite para compensar o facto de ter de andar com os miúdos para todo o lado, anda estafada, então agora o miúdo está com febre e ela é que fica em casa com ele? Mas estás parvo? Vai já para casa pá! Já paraste para pensar na pressão que ela tem em cima dela? Já contaste os dias que ela fica com os miúdos doentes e os que tu ficas? Parece que és parvo ó quê!

Não concordam?

sábado, 4 de novembro de 2023

Efeito bola de merda

 Não sei se já vos aconteceu. Passam o dia a absorver, tal como uma esponja, a merda dos outros. A merda do estou ansioso, estou cansado, estou doente, estou carente. Absorvem merda e devolvem palavras calmas, confortantes e estupidamente alegres e serenas. Mais merda, pumba. O dia vai avançando e vocês vão, entre as tarefas do dia-a-dia, continuando com esta tarefa permanente de levar com toda a merda dos outros.

Quando, ao final do dia, chegam ao vosso limite e já não dá mais, a esponja já não absorve e então começam a atirar toda a merda do dia por todo o lado, acerta em todos e em tudo. E, o milagre acontece. As mesmas pessoas que passaram o dia a conspurcar-vos, são agora almas imaculadas, altamente ultrajadas por estarem a ser alvo da merdice.

Isto, meus queridos, foi o meu dia, são os meus dias, são os meus anos. E sabem como que fico a sentir certo? Ora escusado seria dizer, uma merda.

sexta-feira, 3 de novembro de 2023

While the years they come and go I won't let myself get slow

 Na verdade, não tenho a certeza. Tudo o que mais quero nos últimos tempos é não fazer nada, dormir e sentar-me no sofá. Também é verdade que não o faço muito, por isso se calhar está tudo bem.

Mais um ano, mais um aniversário e já lá vão 42. Ultimamente tenho pensado um pouco no sentido da vida - vejo os pais e os sogros a ficarem velhos e começo a pensar que daqui a nada sou eu e que portanto me devia apressar a fazer alguma coisa de significativa. Mas há tanta roupa para lavar, filhos para ir por e buscar, compras para fazer, refeições para preparar e 3500 coisas na minha cabeça ao mesmo tempo que parece tarefa impossível. E então penso que tenho de continuar passito a passito, tentar ser a melhor pessoa possível e ensinar os meus filhos a serem também. Aos poucos, os meus filhos já não são só pequenas crianças de quem tenho de tomar conta e começam a ser pequenos parceiros e aliados. E cada vez mais me preocupo que sejam boas pessoas. E são.

Por isso assim continuamos, navegando nisto que é a vida fazendo o melhor que se consegue, quando se consegue e como se consegue.

É Novembro, não chove mas quase. E hoje eu tirei o dia para descansar, abrandar e estar no sofá. But I won't let myself get slow.

terça-feira, 10 de outubro de 2023

Matemáticas

 Só em 2023 já devo ter passado uns 15 dias a cuidar de filhos doentes, talvez mais. 15 dias num ano não é muito, é tipo umas férias. O problema é que esses dias me arrasam física e psicologicamente. É tipo um misto entre atirar a toalha ao chão e dizer “não vou conseguir fazer nada e vou ficar em modo de poupança de energia” e “tenho de fazer tudo porque, afinal, a vida continua a rolar”. É aquele reminderzinho de que isso dos planos e rotinas é treta. É para ir para o caixote do lixo sempre que algum vírus se lembre se alojar nas pequenas amígdalas do meu filho.

E pronto. Já vamos quase em 48h. Já só devem faltar mais 24h. Mais um ou dois dias de completa anulação da minha pessoa.

#lifeisyoursahahahquerias

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

A Cinderela foi ao baile

 A Gata Borralheira passou o dia como é normal: lavou roupa, estendeu, dobrou; lavou loiça, arrumou; andou sem parar o dia todo no meio dos seus afazeres sem precisar de madrasta a mandar. Mas ao fim da tarde, vestiu roupa preta, calçou botas e aí foi ela, uma Cinderela perfeita de quem está nem aí para as modas ou ser notada. E não demorou muito tempo até a Cinderela ter o seu momento. Ali era só ela (e alguns irrelevantes milhares de pessoas à volta), só ela e a sua banda. Ali a vida era sua, a música era sua, o tempo era seu, o mundo era seu. Cinderela nem queria acreditar que ali estava. E ficou tão orgulhosa de si própria, de não se esquecer que pode ser muito Gata Borralheira mas não é só  isso. E isso sim, mais que sapatinhos de cristal, mais do que um vestido ou jóias, isso sim é muito cool.

Ainda não tinha batido a meia-noite e Cinderela já estava de regresso a casa - tinha um filho a precisar dela com urgência para tirar um espinho do dedo. Dá para ter tudo sim, mas em doses bem medidas. E com um baile anual a Gata Borralheira já se orienta!

#lifeisyours


terça-feira, 25 de julho de 2023

Lua, eu quero ver o teu brilhar

 Há muitos, muitos anos atrás, sentava-me em noites de verão na janela do meu quarto, à noite. Já todos dormiam e eu ficava sentada, no escuro e no silêncio só a ver a noite. Tenho saudades do silêncio. De estar sozinha. De não fazer nada. De parar. De ser eu, só eu. Tenho saudades de mim, de quando eu existia por mim e ninguém (quase ninguém) me puxava em nenhuma (quase nenhuma) direção. 

Sinto-me sufocada num planeta onde ninguém entende sequer porque razão eu quereria estar sozinha, só um bocadinho. 


quinta-feira, 27 de abril de 2023

Time it was

 Os dias passam, as semanas, os meses. Um dia acordamos e é Natal, um dia acordamos e estamos no Verão. Pelo meio coisas que parece que nem ficam na memória. Parece que na infância um evento demorava semanas, ficava o gostinho na boca daquele passeio, daquela festa. Agora no dia a seguir já nem nos lembramos muito bem do que aconteceu.

No outro dia dizia eu, com alguma inspiração, que os 30s tinham sido dos meus filhos e os 40s seriam meus. Fui um pouco naive e vou atualizar para os 50s serem meus - capaz de dar, mas veremos quando lá chegar. Entretanto, vai-se fazendo o que se pode, uma boa ação aqui, outra ali.

domingo, 19 de fevereiro de 2023

Don’t let me down

 Dizia eu que lido melhor com os nãos dos outros. Apercebi-me agora que, se calhar, lido bem com esses nãos até determinado nível. Porque ontem recebi outro que até me fez chorar de tanto que me enervou e magoou. Se calhar, quando é do meu círculo tão próximo, aquele círculo de pessoas por quem sempre fiz tudo, aí dói para caramba. Sempre dei mais do que recebi e sempre vivi bem com isso, com a minha mentalidade de cuidar dos outros.  Mas bolas, às vezes também espero que retribuam, que apareçam, que me prioritizem. E reparem que eu sou uma pessoa que tem um contacto muito frequente com a ingratidão - afinal, tenho 3 filhos, mas esta bateu-me lá bem no fundo. Live and learn, diriam uns. Agora quero é esquecer, seguir, ver o sol que brilha e agradecer todas as pessoas que tenho na minha vida que saem do seu caminho e do seu conforto por mim e pelos meus filhos. Porque eu sei que sou boa pessoa e que por isso tenho boas pessoas ao meu lado. Vou esquecer porque com o tempo vai ficar cada vez mais pequenino e irrelevante. Mas já sabemos que nunca vou esquecer completamente . Porque o carácter, as convicções, os valores, esses demonstram-se todos os dias nos momentos relevantes e irrelevantes.

domingo, 1 de janeiro de 2023

Venha mais um

 Aconteceu tanta coisa em 2022. Facilmente nos esquecemos, mas vivemos ainda o início do ano em covid de máscara. Voltámos ao normal tão rápido que já nem nos lembramos (nem queremos lembrar) desses anos malditos de covid. Fizemos festas, viagens, almoços e jantares, concertos, tudo o que quisemos sem medo de morrer.

Os meus filhos andaram de avião pela primeira vez, eu comecei a dormir noites inteiras ao fim de 4 anos, mudei de posição no trabalho, conheci um monte de pessoas novas, aproximei-me de algumas antigas e distanciei-me de outras. Pensei em divórcio 1500 vezes, fui a um concerto sozinha, disse não mais vezes e aceitei melhor os nãos dos outros. 

Resoluções para 2023? Ainda não sei. Objectivos? Também não sei. Ainda não sei mas não quero perder este momentum de início de ano que nos faz pensar e planear.