sábado, 21 de fevereiro de 2026

Do amor

 Houve o primeiro amor, que foi muito mais do que eu poderia esperar. Foi arrebatador, romântico, poético, sofredor, intenso. Até deixar de o ser. Os que se seguiram foram um pouquinho de tudo isso, mas menos. Menos intensidade, menos tempo. Depois veio o amor mais crescido, sempre menos romântico mas mais realista e mais pé no chão. Houve ali um momento, no ano em que casámos, em que a poesia se foi. A vida foi acontecendo e o amor torna-se noutras coisas.

Vêm os filhos e surge outro amor.

E agora?

Tenho saudades sim. Saudades das borboletas na barriga, de corar, de sonhar, de ser especial e de fazer sentir especial.



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

I see a Mountain at my gates

 Há meses que trabalho para além do vermelho.

Trabalho noite e dia e sempre sem conseguir sentir que está tudo controlado. Ou melhor, sentindo que está tudo descontrolado. Que o que tenho para fazer é uma onda gigante que me engole. Que falho prazos e respostas e expectativas. Está a correr bem, as coisas vão avançando e todos sabem que tenho muita coisa a acontecer. Provavelmente não sabem como tem sido difícil, como a ansiedade às vezes me acorda antes do despertador, como o sentir que isto não tem fim me tira a vontade de voltar ao trabalho nas segundas-feiras. Tive uns dias de férias e pensei o que poderia mudar. Onde posso estar menos presente e onde tenho de estar. Já não há muito onde cortar, mas sei que não consigo aguentar este ritmo muito mais tempo, as pernas começam a falhar. 

No outro dia falava com uma colega e ela dizia que não queria que fosse só trabalho. À medida que crescemos em responsabilidade é cada vez mais tempo que temos de dar. E como ela gostaria de fazer outras coisas também. Não ser apenas a manager, ser a pessoa.

Food for thought.