segunda-feira, 26 de março de 2018

1 ano depois

Este texto foi escrito em Dezembro do ano passado. Hoje, no dia em que faz 1 ano em que a minha tia morreu, faz sentido recordar e fazer-lhe esta pequena homenagem. Não foi esquecida e continua bem presente na minha vida e na forma como a vivo.
Saudades, tia.


A tia Céu morreu, inesperadamente, violentamente. Fez-me pensar e repensar muitas coisas, velhas questões recorrentes sobre a vida, o tempo, a felicidade. Isso mais um susto de saúde fez-me ver algumas coisas: o que estou disposta a aceitar e o que estou disposta a mudar. Estou disposta a aceitar o meu trabalho, não sendo o ideal, não fazendo nada de útil para a sociedade, permite-me ter uma vida confortável, razoavelmente feliz em termos profissionais.
Algumas pequenas quezílias pessoais e profisionais fizeram-me ver que sei quem sou enquanto pessoa e enquanto profissional. Aceitei o que não posso mudar ou controlar (a morte, as outras pessoas) e a focar-me no que posso controlar (eu, a minha família, a nossa felicidade). Aceitei que neste momento não vou dar (devolver) à sociedade tanto quanto queria. Fico-me por agora por pequenos gestos e a promessa de quando os meus filhos forem maiores me dedicar aos outros. Não esqueço o Serifo, não esqueço Santa Maria, não esqueço as crianças que não têm carinho, um colo, amor. Mas agora tenho de estar lá para os meus filhos. Aceitei, finalmente sem culpa, isto.
Sentei-me mais tempo a brincar com os meus filhos, a preparar surpresas e magia para eles, a investir tempo em mostrar às outras pessoas que gosto delas. Aproveitar mais cada momento, cada dia, ser melhor pessoa para os outros. E isso faz-me mais feliz. Independente de onde trabalho e do tempo que demoro, independente do que o meu trabalho traz de positivo para o mundo.
Mudei de casa, os meus filhos cresceram, fomos de férias, planeamos o futuro. Alguns pequenos projectos saíram da gaveta, outros lá continuam. Para o ano haverá mais, mais entusiasmo, mais alegria.

sábado, 10 de março de 2018

7 anos

No outro dia sonhei com o meu avô. Os seus olhos castanhos delineados a azul brilhavam, Estava com bom aspecto. Conversávamos normalmente e de como ele tinha sobrevivido ao AVC que o levou. Foi tão bom. Quando acordei e me lembrei do sonho, reparei que fazia exactamente sete anos desde a última vez que estivemos juntos. Não se pode dizer que fomos próximos em vida mas também não fomos distantes. Eu tinha grande carinho por ele e sei que ele também. Construi-nos baloiços em crianças. Escondia o cigarro que fumava quando aparecíamos. Grelhava o bacalhau para as nossas batatas a murro que a avó tão bem fazia. Assegurava-se que havia café feito para a minha visita de domingo à tarde. Falávamos de comboios, dos horários. Que saudades...