Não ando bem. Tenho sentido que estou ali perto do limite. Só de pensar na próxima rotina, qualquer que ela seja, dá-me um misto de esgotamento e ansiedade.
Só esta noite quase que chorei duas vezes: quando perguntei à minha filha se queria comer mais e ela revirou os olhos, suspirou e disse que não; e quando vi que o líquido das lentes estava a acabar e não tinha mais no armário. Só a ideia de ter mais uma coisa para fazer deixou-me à beira das lágrimas. Mas, vamos pensar positivo: quase chorei mas não chorei. O que deve ser um sinal que não estou ainda no limite. Se calhar daqui a bocado depois de ir passar umas boas horas ao computador a fazer as coisas que nunca consigo acabar porque estou sempre atulhada e sempre a sair mais cedo sem que isso seja notado cá em casa, talvez aí tenha mais um mini meltdown.
Brincadeiras à parte, não estou bem. Sinto que nunca recupero, mesmo quando descanso um bocadinho. Sinto-me sozinha no meio do lodo. Se calhar devia dizer que não estou bem. Que só a miragem de mais uma coisa para fazer me faz gatilhar pela borda. Que não sendo nada pessoal, seria bom ter apoio pró-activo.
Enquanto escrevia este pequeno texto lembrei-me de mais 2 coisas que tenho de fazer. E há mais um sentimento que vem junto com as to-dos: o sentimento de ser um falhanço constante. Porque a esta altura já devia ter comprado a prenda do meu afilhado. Só que é assim: eu não consigo. Eu não consigo. Juro que estou a dar o melhor que consigo - não é o meu melhor mas é o que eu consigo.
Eu não estou bem. E eu não consigo.