quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

It's fine. This is fine.

 Levar os meninos à escola, despedir-me deles com um beijo enquanto penso: aproveita bem o teu último dia de normalidade sabe Deus em quanto tempo.

Amanhã as escolas fecham de novo. E desde que li a notícia, há 2 horas, que tenho falta de ar. Falta-me o ar. Estou em pânico. Tanto não penso em nada como penso em almoços, compras, escola, reuniões, desespero. Da primeira vez, em Março 2020 preparei-me: fiz planos de actividades às cores para os meninos, cartões de actividades, planeei com muita positividade tudo. Foi aquela fase bonita e inocente do positivismo - durou 1h. Agora é diferente, já passei por isso, sei que vai correr mal. Sei que vai ser o caos. Sei que vou ter de aguentar o barco. Vou ter de arranjar ar para os pulmões e vou ter de nos aguentar aos 5 na tempestade. Também já sei que não vai ser um esforço dividido, que não vai ser trabalho em equipa e que ninguém me vai perguntar se estou bem. Por isso vou ter de arranjar mecanismos para me aguentar. E é disso que tenho medo, de mim. E é isso que me tira o ar, é saber como me vou aguentar, como vou respirar, como vou conseguir.

It's fine. This is fine. 

Um dia de cada vez, um minuto de cada vez. Tu consegues. Respira.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Palavras leva-as o vento

 Ainda não me consegui atinar bem. Onde escrevo, blog, caderno, diário, qual.

Independente da forma, escrever (e não digo isto no sentido poético ou criativo da coisa, é mesmo apenas o acto de escrever) sempre foi para mim uma maneira de orientar as ideias. Era a minha companhia quando era adolescente e o meu passatempo era escrever páginas e páginas e páginas. É como desabafo, principalmente as coisas desagradáveis que não convém dizer a outras pessoas - ou tão simplesmente porque não há ali outras pessoas.

Pois bem, 2020, pandemia, work from home, blá blá. Por um lado há mais para escrever, mais reflexões, mais adaptações, aprendizagens; por outro há mais disponibilidade - mais tempo e mais flexibilidade.

Já todos nos conhecemos e sabemos que não consigo estabelecer uma rotina de "todos os dias a esta hora escrevo o diário". Não funciona. Tenho 40 anos e ainda não consegui, duvido que ainda consiga. Preciso de um diário onde escreva os devaneios da alma, as to-dos e os micro-objectivos a que me quero propor. Por exemplo, agora durante o banho tive uma boa ideia, mas é muito mundana para pôr aqui (ahahah). Pode ser (mais) uma ideia da treta, mas deixou-me bem disposta, com energia, ao ponto de a querer partilhar e a pôr aqui. E é isso que se quer, certo?

Portanto, preciso de um caderno!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Back to London thunder

Estive de férias, fui de férias. E foram férias. Consegui estar com a minha família no Natal e no Ano Novo, demos beijinhos e abraços, estivemos numa bolha Covid-free.

Hoje, 4 de Janeiro, está um frio de rachar, dia de voltar à realidade de noites mal dormidas, despertador a tocar cedo, casos de Covid no trabalho e um sobrinho esquisito.

Janeiro vai ser duro, por tudo e pelo facto de por uns dias nos termos esquecido desta realidade em que agora vivemos. Janeiro vai ser frio, solitário e mais um mês de medo. 

Começar 2021 com o que 2020 nos ensinou: calma, um dia de cada vez, sem sofrer por antecipação e sem fazer grandes planos.