Hoje pensava que já fui tantos eus. Eras, como agora gostam de dizer.
Tenho saudades de várias. Da adolescente que se confinava no quarto, com música e poemas e escrevia. Das noites de verão, ficar sentada na janela a ver o céu. Do meu pai que me ia mandar apagar a luz e dormir.
Da jovem adulta que ouvia Jewel de coração meio partido, redescobrindo quem era. E que no verão voltava a Lisboa, jantava pizza sozinha e via televisão a noite toda.
E depois deixei de estar sozinha. Será por isso que não me vêm à cabeça mais Sofias?
Sabem o que queria agora? Voltar ao meu quarto, com a minha cama amarela, com os meus pais ali por perto, e dormir naquele aconchego “da minha casa” - onde eu era feliz e sabia. Não pensava muito nisso, mas sabia. Se calhar a última Sofia que foi verdadeiramente autêntica.
Agora ando por aqui aos trambolhões.
Eu faço o meu melhor, sabem? E acreditem que vejo melhor que ninguém as falhas. Mesmo as ninguém vê ou liga, eu sei que estão lá e que são culpa minha. As falhas enquanto manager, esposa claro, mãe, amiga, sobrinha. Vejo-as todas bem à minha frente. E vou tentando compensar. Estou tão sozinha. Mas o P deixou-me esta noite o Ursinho e o Alupita para dormirem comigo.