segunda-feira, 8 de junho de 2026

I see a mountain at my gates

 E está sempre lá. De manhã, abro a janela e lá está ela aos meus gates. Maior, sempre maior. Bora lá. Resolver os problemas que não têm resolução. Marcar um cabeleireiro novo se não o P não quer ir cortar. Ah e a Nutella acabou. 

Estou aqui, apesar de já ter subido tanto e tanto, estou aqui no sopé da montanha. Está fresco e estou aqui a olhar para ela, por um lado a pensar que não tenho força, por outro a pensar por onde subir porque, let’s face it, não tenho alternativa mesmo.

domingo, 7 de junho de 2026

I just shouldn’t think anymore tonight

 Hoje pensava que já fui tantos eus. Eras, como agora gostam de dizer.

Tenho saudades de várias. Da adolescente que se confinava no quarto, com música e poemas e escrevia. Das noites de verão, ficar sentada na janela a ver o céu. Do meu pai que me ia mandar apagar a luz e dormir.

Da jovem adulta que ouvia Jewel de coração meio partido, redescobrindo quem era. E que no verão voltava a Lisboa, jantava pizza sozinha e via televisão a noite toda.

E depois deixei de estar sozinha. Será por isso que não me vêm à cabeça mais Sofias? 

Sabem o que queria agora? Voltar ao meu quarto, com a minha cama amarela, com os meus pais ali por perto, e dormir naquele aconchego “da minha casa” - onde eu era feliz e sabia. Não pensava muito nisso, mas sabia. Se calhar a última Sofia que foi verdadeiramente autêntica.

Agora ando por aqui aos trambolhões.

Eu faço o meu melhor, sabem? E acreditem que vejo melhor que ninguém as falhas. Mesmo as ninguém vê ou liga, eu sei que estão lá e que são culpa minha. As falhas enquanto manager, esposa claro, mãe, amiga, sobrinha. Vejo-as todas bem à minha frente. E vou tentando compensar. Estou tão sozinha. Mas o P deixou-me esta noite o Ursinho e o Alupita para dormirem comigo.