terça-feira, 11 de agosto de 2020

 Não olho muito para trás. O tempo foi rolando e pouco a pouco voltámos ao "novo normal". Voltei a ter espaço e silêncio. Não olho muito para trás para relembrar ou reviver. Passou e isso era tudo o que eu queria. Março, Abril, Maio pareceram infindáveis quando os estava a viver sem esperança ou visão do que seria isso do novo normal, quando aceitaríamos o medo da ameaça e voltaríamos a pôr os pés fora de casa. 

Não olho muito para trás mas guardo comigo que foi muito difícil. Fui de férias, fui à praia. Já perto do fim da tarde todos brincavam e eu fui até à beira mar, a ouvir o quase silêncio, o infinito do mar calmo, o sol já poente. Entreguei ao mar todo o peso e negrume que estes meses tiveram. Passou. Sobrevivemos. Aprendemos e crescemos. Reconheci o esforço tremendo que passei e deixei-o ir. Estava a preparar-me para entrar no mar quando o N. apareceu ao meu lado e disse com um sorriso: vamos.

Esta é a parte em que ainda tenho de trabalhar. O que o isolamento aproximou, o regresso ao normal logo tratou de afastar. Eu sei que parte do problema está em mim. Sinto que tenho de fazer e ceder muito mais pela nossa família do que ele. Sinto que esse esforço não só não é partilhado como não é reconhecido. Não me importo de ser a super mulher mas queria pelo menos sentir apoio. Porque não sou super mulher, sou apenas mulher. Ele ter aparecido ao meu lado à beira-mar é um sinal - eu não estou sozinha, só tenho de arranjar maneira de parar pensar que estou. Como sempre, aceitar o que não vai mudar mas sem com isso continuar a afastar quem está ali ao meu lado.

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