De facto a última coisa de que a internet precisa é de blogs de mães, de famílias, de receitas, de organização, de janelas à chuva. Milhares e milhares destes blogs andam por aí - e não falo dos populares que têm seguidores e leitores e por isso se tornaram "influencers" que publicitam tudo e mais alguma coisa. Falo de blogs anónimos, blogs pequeninos de quem escreve como hobbie ou seja lá o que for.
O único blog que segui foi o do meu pai. E só o segui por ser dele. Começou com as coisas dele da linguística, depois fotos da família e acabou por ter textos únicos que contam a sua história, a nossa história. Tanto que me dei ao trabalho de os compilar num livro, exactamente por serem tão especiais. Especiais para mim, que sou filha dele. Certamente especiais para o resto da família e amigos que o conhecem. O resto do mundo - ou da blogsfera - está-se a marimbar porque aquilo não lhe diz nada.
Quero com isto dizer: se queremos fazer alguma coisa, fazemos para os que amamos. Quando faço um bolo é para a minha família, para os meus amigos. Não faço para ir pôr ali no meio da rua e ver se algum estranho lhe pega.
Portanto: chega de papéis escondidos em gavetas, ficheiros no computador. Se me dou ao trabalho de guardar tantas e tantas palavras é porque são importantes para mim e porque contam a minha história - que por ser minha me parece relevante guardar. Está na hora de servir o bolo.
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